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sexta-feira, 1 de julho de 2011

Coração Líquido


A menina brinca com a sua boneca
E ela se cansa da boneca, e joga fora
A outra menina, que mora entre madeira e tijolos
Jogados por inutilidade
Não tem bonecas
Não tem brinquedos
A menina compra outra boneca
Mais bonita que a outra
E ela joga fora
A outra menina
Não tem bonecas
Não tem brinquedos
Ela brinca com pedaços de um vestido se mi-novo
Jogado por inutilidade
Pois um Chanel era melhor
A menina não ama ninguém
Nem mesmo as sua 132 bonecas
Ela quer mais
Mais
Cansa-se de tudo
E a menina que não tem bonecas
Não tem brinquedos
Sabe amar
Amar de verdade
amar e sentir saudade, daquilo que ela tem
e não daquilo que ela quer ter
A menina chora porque não tem sua mais nova boneca na loja
E a outra menina, chora porque não tem um pai
Que se foi, de tanto trabalhar
Para dar uma boneca
Para a menina brincar.

Tenho medo do futuro,
Tenho medo do meu presente
Mas tenho mais medo, desse coração ausente,
Dessa liquidez inevitável.

Tenho vontade de para e pensar sobre tudo
Tenho vontade de chorar com tudo
Ó sociedade maluca, sociedade manipulada,
Como posso ser alguém? No meio de tantos alguns
Que nessa vida, não são nada! São formigas
Milhares delas,
Que vão colher o fruto que a rainha escolhe
E se ela muda de fruto por causa de não dar mais lucro
Eles mudam também.

Como podemos ser alguém se não somos donos de nós mesmos?
Me sinto triste por ser assim,
Mas não posso parar de viver,
Pois o mundo não vai parar por mim
Vou continuar nesse fluxo
Com essas formigas de coração vazio
Vazio solidamente
Vazio como maquinas
E cheio liquidamente.

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